MENU
Comitê da Meta aponta falhas na moderação durante eleições no Brasil
Comitê de Supervisão da Meta aponta falhas graves na moderação de conteúdo durante eleições e cobra mais transparência das redes sociais
Por Gabriel Monteiro
Publicado em 20/10/2026 19:42
Internet e Redes Sociais
Erros no WhatsApp e no Instagram levaram a Justiça Eleitoral a fixar prazo para a Meta comprovar isonomia entre campanhas. - Imagem: miss.cabul/Shutterstock

O Comitê de Supervisão da Meta criticou falhas recorrentes na moderação de conteúdos políticos durante eleições. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (20), o órgão citou restrições que afetaram a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil e a suspensão temporária de uma conta política nos Estados Unidos.

A entidade cobrou mais transparência e consistência nas decisões da empresa, que podem restringir manifestações políticas legítimas ou deixar de proteger a integridade eleitoral.

 

  O comitê afirma que faltam indicadores públicos capazes de demonstrar a eficácia das medidas eleitorais da Meta. – Imagem: Marciobnws/Shutterstock

 

Denúncias no Brasil

 

A campanha de Lula acusou a Meta de interferência eleitoral após restrições que teriam afetado conteúdos no Instagram e no WhatsApp. O partido do presidente também denunciou um possível tratamento desigual pela inteligência artificial do WhatsApp, que, segundo a acusação, recusaria gerar conteúdo eleitoral favorável a Lula, mas não a Flávio Bolsonaro.

Na segunda-feira, a Justiça Eleitoral deu à empresa prazo de 24 horas para demonstrar que adota medidas para garantir tratamento igualitário às duas campanhas. A cobrança ocorreu a menos de uma semana do segundo turno presidencial.

A Meta negou favorecer qualquer candidato, mas reconheceu que anúncios da campanha de Lula foram desativados por engano. A empresa atribuiu os problemas a incidentes técnicos que, segundo ela, não se limitaram ao Brasil.

O Comitê de Supervisão vê dois tipos de falha nesse cenário: a aplicação excessiva das regras, que pode restringir o discurso político, e a aplicação insuficiente, que compromete a proteção do processo eleitoral.

Ao comentar o caso, o órgão afirmou que a empresa precisa corrigir sua atuação. O comitê declarou: “Está claro que a Meta precisa fazer mais para garantir que suas práticas de moderação durante as eleições sejam transparentes e consistentes”.

 

Conta suspensa nos Estados Unidos

 

A preocupação também envolve o caso No Kings. Nos Estados Unidos, a Meta desativou temporariamente a conta da coalizão de associações que incentiva a participação dos cidadãos nas eleições de meio de mandato, previstas para o início de novembro.

A empresa pediu desculpas pela suspensão. Andy Stone, porta-voz da Meta, afirmou na rede social X que a desativação foi resultado de uma ação automatizada realizada por engano.

O comitê questionou por que o problema não foi resolvido mais rapidamente e por que a conta não estava incluída no programa de verificação cruzada da Meta. O mecanismo permite que entidades cívicas consideradas importantes tenham suas publicações analisadas por uma pessoa antes de decisões que possam prejudicar sua participação em eventos políticos relevantes.

 

  Restrições técnicas em anúncios e ferramentas afetaram diretamente a campanha presidencial no Brasil. – Imagem: gerada por IA

 

Cobrança por indicadores públicos

 

A discussão não é nova. Após problemas na moderação durante as eleições presidenciais brasileiras de 2022, o comitê recomendou que a Meta estabelecesse critérios mensuráveis para avaliar a eficácia de suas ações eleitorais.

Segundo o órgão, a empresa divulga números gerais, como a quantidade de anúncios armazenados e de contas removidas, mas ainda não apresenta indicadores públicos suficientes para demonstrar se suas medidas funcionam.

Entre os pontos que o comitê considera importantes para melhorar esse acompanhamento estão:

  • Métricas que permitam comparar resultados e identificar falhas na moderação.
  • Critérios claros para avaliar o impacto das decisões sobre a participação política.
  • Sistemas automatizados capazes de interpretar diferenças de idioma, nuances e contexto político.

Em 2025, a Meta prometeu ampliar a liberdade de expressão e reduzir erros durante eleições e debates políticos. Para o Comitê de Supervisão, os casos recentes mostram que a empresa ainda precisa avançar para cumprir esse compromisso.

 

 

Fonte: Olhar Digital

Comentários
Comentário enviado com sucesso!